Plano de amostragem microbiológico para estabilidade de suplementos alimentares

Conforme descrito no Guia 16 (versão 2), ainda que não seja mandatória, essa orientação apresenta direcionamentos importantes para elaboração de um plano de amostragem microbiológico em estudos de estabilidade. A estrutura do plano varia de acordo com a apresentação e categoria do produto, assim como os limites microbiológicos aplicáveis.

Para suplementos alimentares em forma líquida ou em pó, o plano de amostragem deve seguir a Instrução Normativa (IN) nº 161, com análises padronizadas de acordo com o Guia de Microbiologia e o Guia de Análise de Água. Por outro lado, cápsulas e outras formas sólidas devem ser avaliadas segundo os critérios microbiológicos estabelecidos na farmacopeia aplicável, considerando parâmetros como contagem de aeróbios mesófilos, fungos e pesquisa de patógenos específicos.

O plano de amostragem integra o padrão microbiológico, definindo:

  • n: número de unidades amostrais coletadas aleatoriamente de um lote e analisadas individualmente;
  • c: número máximo de unidades aceitáveis com qualidade intermediária (para planos de três classes);
  • m: limite microbiológico que separa lotes aceitáveis de lotes com qualidade intermediária;
  • M: limite que separa lotes intermediários de lotes inaceitáveis.

Classificação dos Planos de Amostragem

  1. Plano de Amostragem de Duas Classes Esse tipo de plano classifica o lote analisado em duas categorias:

Qualidade Aceitável: resultados abaixo do limite microbiológico definido (M);

Qualidade Inaceitável: resultados iguais ou acima de M.

2. Plano de Amostragem de Três Classes Nesse modelo, o lote é classificado em três categorias com base nos limites microbiológicos:

Qualidade Aceitável: resultados ≤ m;

Qualidade Intermediária: resultados entre m e M, até o máximo permitido por c;

Qualidade Inaceitável: resultados acima de M.

Critérios para Estudos de Estabilidade

Segundo o Guia 16, os testes microbiológicos de patógenos não precisam ser realizados nos tempos intermediários do estudo de estabilidade, sendo obrigatórios nos tempos inicial e final. Contudo, a decisão de reduzir a frequência de testes intermediários deve ser embasada em uma análise crítica, considerando os riscos associados ao produto e ao processo.

Considerações Farmacopeicas e IN 161

  • Critérios de avaliação microbiológica: Líquidos e pós: conformidade com os parâmetros da IN 161; Cápsulas: análise de acordo com farmacopeias oficiais (ex.: United States Pharmacopeia ou Farmacopeia Brasileira) para contagem total de aeróbios, fungos filamentosos e leveduras, além de patógenos específicos.
  • Ausência de patógenos: deve ser confirmada individualmente para os produtos classificados com risco microbiológico crítico.

A aplicação dos planos de duas ou três classes deve ser orientada pela legislação vigente, incluindo os critérios farmacopeicos e regulatórios aplicáveis, garantindo a robustez e a segurança do estudo de estabilidade.

É importante ressaltar que o estudo microbiológico, assim como o estudo físico-químico, é recomendável ser realizado em 3 lotes. No entanto, há uma diferença importante: o estudo microbiológico deve seguir o número de unidades amostrais (n) estabelecido no plano de amostragem, independentemente da quantidade total de amostras coletadas. Isso difere do estudo físico-químico, que pode considerar outras abordagens para definição do número de amostras analisadas.

Embora o número de unidades amostrais (n) possa parecer elevado em casos como suplementos em pó ou em barra, onde são exigidas 10 unidades para a pesquisa de Salmonella spp., impactando diretamente estudos de longa duração, é fundamental que cada situação seja analisada caso a caso. Com base em um racional técnico-científico sólido, é possível adotar abordagens alinhadas aos critérios estabelecidos pela legislação vigente, como a IN nº 161 e as farmacopeias oficiais, considerando a viabilidade prática e o risco microbiológico associado ao produto.

Além disso, é fundamental destacar que, na detecção de patógenos no tempo zero (T0), deve-se aplicar um teste de desafio microbiológico antes da continuidade dos estudos de estabilidade. A presença de valores discrepantes, ainda que baixos, deve ser avaliada criteriosamente. O teste de desafio permite verificar se a contaminação detectada é um evento isolado ou indica a presença de microrganismos deteriorantes com potencial para impactar a viabilidade e estabilidade microbiológica do produto ao longo do tempo. Essa abordagem é essencial para garantir a robustez dos resultados e a segurança do produto.